BHP e Vale oferecem US$ 1,4 bilhão para encerrar processo de Mariana na Inglaterra, diz jornal britânico
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As mineradoras Vale e BHP, controladoras da Samarco, ofereceram cerca de US$ 1,4 bilhão (aproximadamente R$ 7,6 bilhões) para encerrar o processo coletivo movido no Reino Unido por vítimas do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), segundo o jornal britânico "Financial Times". O caso é considerado o maior da história jurídica inglesa em número de autores e valor solicitado (saiba mais abaixo).
O derramamento, em 2015, de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos da mineração da Samarco é tido como a maior tragédia ambiental do Brasil e resultou na morte de 19 pessoas. Modos de vida foram destruídos, e a bacia do Rio Doce foi contaminada.
A proposta das mineradoras, ainda segundo o jornal, foi feita em junho deste ano e inclui cerca de US$ 800 milhões destinados diretamente às vítimas e outros US$ 600 milhões para custear honorários advocatícios e despesas legais.
A oferta foi apresentada em uma reunião em Nova York com representantes do escritório britânico Pogust Goodhead, que representa os atingidos e é responsável pela ação, e com o fundo norte-americano Gramercy, principal financiador do processo.
De acordo com o Financial Times, o Pogust Goodhead buscava um valor maior, próximo de US$ 3 bilhões. Ainda não há acordo fechado, e qualquer eventual acerto precisará ser aprovado pelos cerca de 640 mil autores da ação.
O g1 procurou o escritório Pogust Goodhead e as mineradoras Vale e BHP, que responderam que não comentarão o assunto.
Julgamento terminou em março, mas não há decisão
O julgamento terminou em março, e a decisão da Alta Corte de Londres é esperada para os próximos dias.
O processo pede até 36 bilhões de libras (cerca de R$ 255 bilhões) em indenizações pelo desastre ocorrido em novembro de 2015, quando a barragem de rejeitos da mineradora Samarco, controlada por Vale e BHP, se rompeu.
Caso a BHP seja considerada responsável, o valor de qualquer indenização final ainda será definido em um novo julgamento, marcado para outubro de 2026. A Vale já concordou em dividir igualmente qualquer quantia que venha a ser estabelecida.
As empresas argumentam que o processo na Inglaterra não é mais necessário, alegando que já firmaram, no ano passado, o acordo com autoridades brasileiras que prevê o pagamento de cerca de US$ 30 bilhões ao longo de 20 anos para reparar danos causados pelo desastre.
