Prótese de alta tecnologia devolve autonomia a eletricista de Aracruz com apoio da Suzano
O que era para ser apenas mais um retorno para casa, numa noite de maio de 2014, transformou radicalmente a vida de Wellington Martins de Paulo, então um jovem eletricista de manutenção de 24 anos. Em uma estrada escura de Aracruz, um bitrem sem faróis e sem adesivos refletivos atravessou sua rota — e o impacto interrompeu de forma abrupta a trajetória que ele conhecia.
“Vi minha perna rodar no pneu da carreta. Em nenhum momento desmaiei. Vivi tudo consciente”, recorda.
A amputação transfemural da perna direita trouxe não apenas a perda da mobilidade. Ela atingiu o futebol, os treinos, as idas à praia e até a rotina como pai. O afastamento do trabalho se estendeu por quase dez anos, entre tratamentos, reabilitações e a dura realidade da recolocação como pessoa com deficiência.
O recomeço pela porta da Suzano
A virada começou em 2023, quando Wellington se inscreveu no curso de auxiliar de produção oferecido pelo Senai em parceria com a Suzano. O desempenho chamou atenção e, em dezembro daquele ano, ele foi contratado como eletricista de manutenção na unidade de Aracruz.
“Foi uma alegria enorme. Eu sabia que a transformação começava ali”, afirma.
Mas um obstáculo ainda dificultava seu retorno pleno: a prótese improvisada, adquirida por conta própria, instável e desconfortável.
“Eu tinha medo dela cair enquanto eu andava. Evitava sair de casa”, admite.
Tecnologia que devolve autonomia
Percebendo a limitação e o impacto no cotidiano do colaborador, a Suzano decidiu investir em uma prótese moderna, de alta tecnologia, para garantir segurança e qualidade de vida.
“Inclusão se pratica no cotidiano, com ações concretas. Quando vimos que a prótese restringia não apenas seu trabalho, mas sua vida, entendemos que poderíamos ir além”, destaca Maria Cecília Villanova, consultora de Gente e Gestão da Unidade Aracruz.
A nova prótese ressignificou hábitos, movimentos e possibilidades.
“Foi muita felicidade para mim e para minha família. A empresa me fez sentir valorizado não só como colaborador, mas como ser humano”, diz Wellington.
Hoje, ele caminha com firmeza, circula com mais confiança e vive o dia a dia sem o medo constante de quedas.
“A mobilidade voltou. A segurança voltou. A vida voltou.”
Inclusão que transforma histórias
Neste Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, Wellington carrega seu próprio entendimento da data — e da palavra inclusão.
“Representa valorização como pessoa e como colaborador. Sem a percepção e ação da empresa, eu não teria conseguido continuar trabalhando. Minha vida estaria parada.”
A história de Wellington é, ao mesmo tempo, singular e simbólica: mostra como decisões humanizadas dentro das empresas podem mudar trajetórias, devolver dignidade e abrir caminhos reais para o desenvolvimento profissional e pessoal.
