Quase dez anos após a tragédia de Mariana, atingidos e advogados se unem para cobrar indenização justa
Quase dez anos após o rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana (MG), que devastou comunidades, poluiu o Rio Doce e deixou centenas de famílias em situação de vulnerabilidade, um grupo de advogados e atingidos vai se reunir em Governador Valadares para pedir justiça.
A mobilização acontece na próxima sexta-feira (5) e terá início às 15h, no Mercado Municipal. Às 16h, os participantes seguirão em caminhada até a Praça dos Pioneiros, onde será realizado atendimento jurídico individual para orientar pessoas que ainda têm dúvidas sobre o processo de indenização.
O movimento reivindica a inclusão de todos no programa, defendendo a proposta conhecida como “PID para Todos”.
A presidente da Comissão de Advogados dos Atingidos Rio Doce (CAARD), advogada Neuza Lemos, destacou que muitas pessoas ainda não receberam indenização ou foram barradas por critérios meramente burocráticos.
“O nosso grande objetivo é garantir que todos os atingidos pelo desastre do Rio Doce tenham acesso à reparação justa. Muitas pessoas que estavam aptas a receber o PID tiveram seus cadastros negados por exigências meramente burocráticas — como uma assinatura ligeiramente diferente ou um comprovante de endereço fora dos critérios impostos pela empresa. Queremos o reingresso imediato dessas pessoas, porque o que está em jogo não é papelada, é a dignidade e a vida das famílias atingidas”, afirmou.
Neuza Lemos explicou ainda que a passeata nasceu da indignação popular.
“Todos os dias recebemos relatos de pessoas que se sentem enganadas e desrespeitadas. A CAARD, junto com advogados e atingidos, entendeu que era hora de transformar essa indignação em ação. A passeata é uma forma pacífica e legítima de mostrar à sociedade e às autoridades que não aceitamos mais injustiças.”
Participação popular e pressão por igualdade
A advogada reforçou a importância da presença da comunidade no ato.
“A participação popular é fundamental. Quando o povo ocupa as ruas, sua voz ganha força e chama atenção das autoridades e da imprensa. Sozinhos, somos vozes isoladas; juntos, somos um movimento impossível de ser ignorado.”
Ela também citou a recente decisão da Samarco, que permitiu a adesão de pessoas que haviam recusado propostas anteriores de indenização, como exemplo de que ajustes são possíveis.
“Se esse direito foi reconhecido, então é justo que ele também alcance os que estavam aptos e foram barrados por critérios formais. Não queremos privilégios, queremos justiça e igualdade de tratamento. Essa luta é de todos, e a nossa voz só vai se calar quando os direitos forem respeitados.”
