Bancários param agência BB de Aracruz por uma hora
A agência do Banco do Brasil no município de Aracruz só foi aberta hoje ao meio-dia (o horário normal de funcionamento é a partir das 11h) , num protesto de bancários e bancárias contra a redução do número de funcionários, com consequente comprometimento do atendimento aos clientes.
Com a redução de quadro na Plataforma de Suporte Operacional de Colatina, que caiu de 22 para 16 funcionários, a agência Aracruz perdeu 50% dos caixas: eram quatro e agora são dois. Para se ter uma ideia do impacto no atendimento à clientela, na semana passada uma das bancárias entrou em licença-saúde e, sem reposição da força de trabalho, não foi possível abrir o setor de caixas.
A diretora do Sindibancários/ES e funcionária do BB Bethania Emerick explica que em Aracruz, assim como em outras agências do banco, a realidade é de carência de funcionários e o consequente adoecimento de quem está sobrecarregado e pressionado a cumprir metas de vendas de produtos.
“Esse modelo de gestão que a direção do BB tem implantado prejudica funcionários e clientes. É um projeto de elitização do atendimento, que prioriza grandes negócios e direciona o cliente com movimentações menores para o autoatendimento e canais eletrônicos”, diz Bethania. Ela conta que o quadro de funcionários reduzido em Aracruz provocou a suspensão de atividades na agência por mais de uma ocasião.
Falta de consideração
José Hermenegildo da Silva Filho, 75 anos, aposentado, desde 2015 cliente da agência, considera uma “falta de consideração com os idosos” a redução do número de funcionários na unidade. Ele contou que, por conta de uma cirurgia nos olhos, teve dificuldade de enxergar o que estava exposto na tela do autoatendimento recentemente e precisou da ajuda de um amigo para fazer a operação, exemplificando as dificuldades para os idosos.
Esquete teatral
A ação de mobilização em Aracruz contou com panfletagem e um esquete teatral. Um grupo de atrizes apresentou uma situação comum nas unidades do BB: direcionamento de clientes para o autoatendimento ou canais digitais por orientação da direção do banco e funcionários sendo obrigados pela metas a empurrar aos clientes produtos como títulos de capitalização e consórcio.
“Provavelmente vocês já viram essa cena de bancários obrigados a vender produtos sem que o cliente queira. E quando o trabalhador é forçado a isso, ele vai adoecendo. Não é à toa que nossa categoria representa 24% dos trabalhadores brasileiros afastados pelo INSS por adoecimento mental”, disse Idelmar Casagrande, diretor do Sindibancários/ES e representante da Intersindical.
Bethania reforça que, além do sofrimento dos funcionários do BB, os clientes também estão passando sufoco, sem atendimento nos guichês de caixa, sem ninguém para auxiliar no autoatendimento, com filas enormes nas mesas de atendimento. “A nossa luta é por qualidade de vida no trabalho e para que o banco supra as necessidades a fim de prestar um bom atendimento aos clientes”.
