Com Ciberlab, 45 foragidos são presos em menos de dois meses

Publicado em 07/01/2026 às 14:57 Da Redação
Segurança Pública
Com Ciberlab, 45 foragidos são presos em menos de dois meses

A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) anunciou, nesta quarta-feira (7), a criação do Ciberlab, um centro de inteligência cibernética voltado ao enfrentamento de crimes praticados no ambiente digital. Mesmo antes da apresentação oficial, a unidade já apresentou resultados expressivos: 45 foragidos da Justiça foram capturados em cerca de três semanas de atuação, muitos deles condenados por crimes graves como estupro, homicídio e tráfico de drogas.

A coletiva foi realizada na sede da Sesp, em Vitória, com a presença do secretário de Segurança Pública, Leonardo Damasceno; do subsecretário de Inteligência, delegado Jordano Bruno Leite; do gerente do Disque Denúncia 181, Paulo Expedicto Amaral; e do gerente de Operações Técnicas e coordenador do Ciberlab, delegado Leandro Barbosa.

Criado em novembro de 2025, o Ciberlab segue modelos já utilizados pelo Ministério da Justiça e por grandes forças de segurança internacionais, com foco em monitoramento, coleta e análise de dados digitais para apoiar investigações complexas.

Segundo o secretário Leonardo Damasceno, o laboratório foi estruturado para responder a ameaças modernas que exigem atuação integrada e altamente tecnológica. “O mundo do crime migrou para o ambiente digital. Precisamos ter instrumentos para coletar dados sensíveis, agir com rapidez e antecipar riscos”, afirmou.

O Ciberlab atua em diversas frentes, como: monitoramento da Deep Web e Dark Web; combate a fraudes digitais, pornografia infantil e violência escolar; desarticulação financeira do crime organizado, com rastreamento de criptoativos; coleta e preservação de vestígios e provas digitais; uso de inteligência artificial e machine learning para análise de dados; e apoio técnico direto à Polícia Civil, inclusive em medidas cautelares.

Prisões no Espírito Santo e fora do Estado

O primeiro grande trabalho do Ciberlab foi o levantamento tecnológico de foragidos da Justiça que utilizavam o anonimato digital para se esconder, inclusive fora do Espírito Santo.

O resultado foi a captura de 45 pessoas em 25 municípios, distribuídos pelas regiões Norte, Sul, Serrana e Noroeste do Estado, além de prisões em Minas Gerais e Mato Grosso.

Entre os crimes pelos quais os presos eram procurados estão dez condenações por estupro de vulnerável, sete por homicídio, incluindo feminicídio, cinco por tráfico de drogas, quatro por crimes patrimoniais e três por violência doméstica (Lei Maria da Penha), além de três autos de prisão por posse ilegal de arma de fogo.

Casos emblemáticos

Entre as capturas de destaque estão:

  • um homicida preso em Colatina, escondido em um acampamento cigano;
  • um condenado a mais de 25 anos de prisão por estupro de vulnerável, capturado em Pedro Canário;
  • um foragido condenado por estupro localizado em Mimoso do Sul;
  • o autor de um feminicídio ocorrido em Juína, no Mato Grosso, preso em São Roque do Canaã;
  • e um condenado por estupro capturado em Itabirinha, em Minas Gerais, apesar de o crime ter ocorrido no Espírito Santo.

Segundo o delegado Leandro Barbosa, a atuação digital elimina barreiras geográficas.
“Não existe fronteira no ambiente virtual. A partir de Vitória, conseguimos identificar e localizar alvos escondidos em outros estados em um curto espaço de tempo”, explicou.

Integração com plataformas e forças de segurança

O Ciberlab funciona como canal técnico centralizado do Espírito Santo para o recebimento de informações enviadas por grandes provedores de internet e plataformas digitais, além de atuar em integração com o Disque Denúncia 181, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e forças de segurança de outros estados.

As informações recebidas passam por tratamento técnico e são transformadas em relatórios de inteligência, encaminhados às autoridades responsáveis pelas investigações e prisões.

Prevenção e proteção em escolas

Outro eixo estratégico do Ciberlab é a prevenção de ataques em ambientes escolares. Em parceria com a Secretaria de Educação e o Comitê Governamental de Segurança Escolar, a unidade atua no monitoramento de ameaças, casos de cyberbullying e possíveis riscos envolvendo crianças e adolescentes.

“A proposta é agir antes que a violência aconteça. Mostrar que a internet não é terra sem lei e que o anonimato digital não garante impunidade”, destacou Damasceno.

A Sesp reforça que o Ciberlab não conduz investigações policiais nem instaura inquéritos, atribuição exclusiva da Polícia Civil. O laboratório atua na antecipação, coleta, organização e preservação de dados digitais, fortalecendo a atuação das forças de segurança.

Com pouco mais de 40 dias de funcionamento, a avaliação da Secretaria é de que o modelo já se mostrou eficiente e deve se consolidar como uma das principais ferramentas permanentes da inteligência da segurança pública capixaba.

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