Ex-vereadores de Aracruz terão de devolver R$ 2 milhões aos cofres públicos

Publicado em 17/12/2025 às 09:53 Da Redação
Política
Ex-vereadores de Aracruz terão de devolver R$ 2 milhões aos cofres públicos

Depois de quase duas décadas de disputa judicial, um acordo autorizado pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) deve garantir a devolução de cerca de R$ 2 milhões aos cofres da Prefeitura de Aracruz, no Norte do Estado. O valor será pago por ex-vereadores condenados em uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES).

O processo envolve irregularidades ocorridas entre 2001 e 2004, período em que a Câmara Municipal de Aracruz realizou 65 sessões extraordinárias sem comprovação de urgência ou de relevante interesse público, exigência prevista em lei.

Nessas ocasiões, os vereadores receberam pagamentos conhecidos como “jetons”, considerados ilegais pelos órgãos de controle. Segundo o processo, os 17 parlamentares da época receberam, juntos, R$ 517.437,15.

Também foram réus na ação o então prefeito Luiz Carlos “Cacá” Gonçalves e o vice-prefeito Marcelo de Souza Coelho. Ambos foram absolvidos pelo TJES em 2014.

Embora tenham assinado ofícios necessários para a realização das sessões extraordinárias, o Tribunal entendeu que não houve comprovação de que agiram com dolo ou que tenham se beneficiado financeiramente, requisito essencial para a configuração de improbidade administrativa.

Com o acordo, a execução da sentença — que também previa a suspensão dos direitos políticos — fica suspensa enquanto os pagamentos forem realizados. Após a quitação integral, o processo é encerrado definitivamente. Em caso de inadimplência, a ação volta a tramitar normalmente.

A homologação do acordo modifica as condenações impostas aos ex-vereadores Edivan Guidote Ribeiro, Zezinho Atílio Scopel, João Rocha Nunes, Sueli Oliveira Quinonez e Rosane Ribeiro Machado.

Manifestações

O MPES informou, por nota, que foi notificado da decisão e que ainda analisa o caso. Já a Procuradoria da Prefeitura de Aracruz afirmou que não se opõe à formalização de acordos de não persecução cível quando há manifestação favorável, visando à recomposição do erário.

A defesa dos ex-vereadores que aderiram ao acordo declarou que não comenta processos em andamento para preservar o andamento processual e a imagem dos clientes.

Em nota, o advogado destacou que o valor a ser pago é superior ao dobro do montante recebido em jetons, com acréscimo de juros e correção monetária, e esclareceu que os ex-parlamentares já cumpriram a penalidade de perda dos direitos políticos pelo período de três anos.

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