Operação mira tráfico de medicamentos para aborto em Aracruz

Publicado em 08/12/2025 às 10:48 Da Redação
Segurança Pública
Operação mira tráfico de medicamentos para aborto em Aracruz

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, nesta segunda-feira (8), a Operação Aurora, com objetivo de desarticular uma organização criminosa interestadual especializada no tráfico de medicamentos controlados, como o Cytotec (Misoprostol) – substância de uso hospitalar, mas utilizada para a prática de aborto ilegal. 

A ação ocorreu em cidades de sete estados do Brasil, incluindo Aracruz, município no Norte do Espírito Santo. Além da venda clandestina das medicações, o grupo é investigado por oferecer "assessoramento técnico" para o procedimento.

O caso foi descoberto após uma mulher de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS), comprar o remédio e contratar o serviço. No entanto, sem orientação, ela passou mal e precisou ser hospitalizada. A operação ocorreu nos seguintes locais:

Paraíba: João Pessoa

Goiás: Goiânia e Valparaíso

Rio de Janeiro: Nova Iguaçu

Espírito Santo: Aracruz

Bahia: Irecê e Itaguaçu

Minas Gerais: Santos Dumont

Brasília: Distrito Federal

De acordo com a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, a organização criminosa é especializada no tráfico de diferentes medicamentos controlados, com destaque para o Cytotec (Misoprostol). 

O "assessoramento técnico" se referia a orientações e suporte às usuárias quanto ao modo de administração do fármaco durante o procedimento abortivo.

Conforme a delegada Karoline Calegari, responsável pela investigação, mais de 250 mulheres faziam parte do grupo, sugerindo “que o lucro obtido pelo grupo possa ser expressivo”.

Descoberta do esquema

Em abril deste ano, uma mulher de Guaíba deu entrada em um hospital após passar mal e sofreu um aborto. A equipe médica suspeitou do caso e acionou a Polícia Civil, que começou a investigar a situação.

Em depoimento à polícia, a mulher contou que havia ingerido misoprostol, que ela afirmou ter comprado pela internet. Ainda segundo o relato, ela também contratou um serviço de "assessoramento técnico" para o aborto, feito de forma remota. 

No entanto, a pessoa responsável pelas orientações teria parado de responder às mensagens e, como estava sentindo dores, a mulher decidiu buscar atendimento médico.

A mulher disse que, quando soube da gravidez indesejada, começou a fazer pesquisas pela internet e foi abordada por uma pessoa que informou conhecer "profissionais que poderiam ajudá-la com segurança a interromper a gestação".

 Por meio do número de telefone informado, ela entrou em contato com uma pessoa que disse que trabalhava "ajudando mulheres a interromper gestações indesejadas" e informou a tabela de preços do medicamento, repassando orientações de uso. 

Quando ela aceitou fazer os pagamentos, foi adicionada a um grupo de WhatsApp onde mulheres compartilhavam suas experiências após o procedimento.

Administradores do grupo foram descobertos

Durante as investigações, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul identificou os administradores do grupo, que eram os únicos autorizados a realizar a venda do produto Cytotec e acompanhar o procedimento abortivo. 

Eles residem nos estados da Paraíba, Goiás, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Agora, a corporação busca esclarecer a participação de cada uma dessas pessoas no esquema, e entender como funciona a dinâmica da organização e apurar de onde o medicamento é desviado.

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