Polícia Científica do ES alerta à população para os riscos do consumo de carne clandestina
A Polícia Científica do Estado do Espírito Santo (PCIES), uma semana após terem sido presos dois homens, de 24 e 67 anos, flagrados transportando 390 quilos de carne de cavalo que seria vendida para açougues, restaurantes e churrasquinhos da Grande Vitória,.A PCIES vem a público para informar sobre riscos do consumo de carne clandestina, oferecendo dicas de como o consumidor pode se proteger.
Durante a ação, realizada na terça-feira da semana passada, dia 21, policiais da Delegacia de Polícia (DP) de Fundão, com apoio de policiais militares, identificaram que o local de abate, no bairro Cupido, “os restos dos animais eram depositados em condições insalubres, a céu aberto”, segundo nota emitida pela Polícia Civil do Espírito Santo (PCES).
“A dupla vinha sendo monitorada pela equipe da DP de Fundão há dez dias, pois havia a suspeita de que eles estariam fornecendo carne de cavalo para estabelecimentos localizados em Jacaraípe e Nova Almeida, na Serra, e em alguns bairros de Vila Velha”, disse naquela ocasião o titular da DP de Fundão, delegado Leandro Sperandio.

Segundo a Policia Civil, a dupla abatia os cavalos no bairro Cupido, em Aracruz (ES) e vendia a carne clandestina na Grande Vitória | Imagens: PCES e Google Earth
Riscos à saúde humana
De acordo com o chefe do Departamento de Medicina Veterinária Forense (DEMV), o perito oficial criminal Marconi Lana, foi possível identificar restos de bovinos e equinos. “Além da crueldade do abate nessas condições, o maior problema são os riscos à saúde humana relacionados ao consumo dessas carnes. O abate é feito ao ar livre, no meio de uma via, no chão de terra. São animais que podem ter qualquer origem, logo, não existe um controle sanitário e de doenças em relação a eles”, detalhou.
Em nota distribuída à Imprensa, a PCIES, traz o seguinte alerta: “Sem inspeção, a carne clandestina pode estar contaminada por micro-organismos patogênicos e parasitas. Um dos problemas mais comuns é a toxinfecção alimentar – infecção causada pelo consumo de alimentos contaminados por bactérias ou toxinas – que pode evoluir para quadros graves, inclusive fatais.”
Ainda é da a seguinte informação, na mesma nota: “A manipulação e o abate em condições precárias favorecem a proliferação de bactérias como Salmonella e coliformes fecais, entre outras, aumentando o risco de surtos de diarreia, vômitos e infecções intestinais graves.
“Além das bactérias, existem graves zoonoses veiculadas por carnes clandestinas. Doenças como a teníase (infecção por tênias) e sua forma invasiva cisticercose, a tuberculose bovina, a brucelose e a toxoplasmose estão entre as principais enfermidades associadas a carnes sem inspeção. A teníase, por exemplo, é causada pela ingestão de carne contendo cisticercos (larvas de Taenia); se a carne estiver mal passada, o parasita pode se alojar no organismo humano, causando desde distúrbios digestivos até problemas neurológicos e cegueira em casos de neurocisticercose”, prossegue.
Já a tuberculose e a brucelose são infecções bacterianas que podem ser transmitidas por produtos de animais contaminados e normalmente seriam detectadas e barradas na inspeção sanitária. Sem essa fiscalização, porém, carnes de animais doentes podem entrar na cadeia de consumo, expondo pessoas a essas doenças.
Outro fator de risco é que animais abatidos clandestinamente podem carregar resíduos de medicamentos veterinários proibidos ou outras substâncias nocivas. A PCIES cita como exemplo, “no caso de cavalos, é comum o uso de anti-inflamatórios e vermífugos não aprovados para animais de abate; resíduos desses fármacos podem permanecer nos tecidos e ser ingeridos pelos consumidores, causando efeitos tóxicos a longo prazo”.
E completa: “Ademais, a falta de higiene no abate ao ar livre – muitas vezes em chão de terra e exposto a insetos – eleva a chance de contaminação ambiental e atração de vetores de doenças. Em suma, consumir carne oriunda de abatedouros clandestinos significa se expor a uma série de perigos invisíveis, que vão de infecções alimentares agudas a doenças crônicas potencialmente fatais.”

Na ação policial, foi flagrado no ‘abatedouro’ clandestino as ossadas de cavalos | Foto: Divulgação/PCES
Dicas da Polícia Científica de como a população pode se proteger
- Para evitar o consumo de carnes clandestinas, especialmente ao frequentar restaurantes ou lanchonetes, a população deve adotar algumas medidas:
- Dar preferência a estabelecimentos que comprovem a origem das carnes com selo de inspeção (SIF, SIE ou SIM);
- Observar as condições de higiene e refrigeração nos locais de preparo e venda;
- Desconfiar de preços muito abaixo do mercado, que podem indicar procedência duvidosa;
- Exigir nota fiscal e questionar a procedência dos alimentos quando necessário;
- Optar por carnes bem cozidas, especialmente em locais informais, para reduzir o risco de contaminações;
- Denunciar estabelecimentos que comercializam carnes sem procedência aos órgãos de fiscalização.
A Polícia Científica reforça a importância de o consumidor estar atento e consciente sobre a procedência dos alimentos consumidos. A saúde da população começa com escolhas seguras e responsáveis por parte de todos.
