IBGE: roupas e cosméticos alavancam comércio do ES, que cresce 4,3%
O comércio varejista do Espírito Santo segue em trajetória de crescimento em 2025, segundo os dados mais recentes da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (15).
Até julho deste ano, o setor acumula alta de 4,3% no volume de vendas em relação ao mesmo período de 2024. Na comparação com julho do ano passado, o avanço foi de 3,7%, enquanto o resultado dos últimos 12 meses indica crescimento de 3,9%.
Apesar do desempenho positivo no acumulado, o mês de julho registrou leve retração de 0,5% frente a junho, após ajuste sazonal — um sinal de que o ritmo da atividade ainda oscila mês a mês.
A receita nominal de vendas, que reflete o valor em dinheiro movimentado pelo comércio, mostra um cenário ainda mais favorável.
O indicador acumula alta de 8,8% de janeiro a julho e crescimento de 7,5% em relação ao mesmo mês de 2024. Segundo o IBGE, o resultado reforça que, embora o volume vendido avance em ritmo moderado, os preços e valores nominais se mantêm em trajetória de expansão, o que pode refletir tanto a inflação de produtos quanto o maior gasto médio dos consumidores.
Moda e beleza puxam o crescimento
Entre os segmentos pesquisados, tecidos, vestuário e calçados lideram o crescimento, com aumento de 20,2% no volume de vendas e 24% na receita nominal na comparação anual. Logo atrás aparecem artigos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos, que registraram alta de 11,9% em volume e 16,8% em receita — sinalizando um aquecimento no consumo de itens de cuidado pessoal e beleza.
O setor de móveis e eletrodomésticos também teve desempenho positivo, com crescimento de 2,9% no volume vendido e 15,7% na receita. Em sentido contrário, o segmento de livros, jornais, revistas e papelaria segue em retração, com queda de 16% em volume e 12% em receita, acompanhando a tendência de digitalização e a mudança nos hábitos de consumo.
Quando se considera o chamado varejo ampliado — que inclui veículos, motocicletas, autopeças e materiais de construção —, o avanço é mais tímido.
O volume de vendas no Espírito Santo caiu 2,6% em julho frente a junho, mas acumula alta de 2,6% no ano e 2,8% nos últimos 12 meses. O resultado reflete, sobretudo, a influência do setor automotivo, altamente dependente das condições de crédito e da renda das famílias, e que costuma responder com mais lentidão às variações da economia.
Crescimento com cautela
De modo geral, o comércio capixaba vive um momento de crescimento com cautela. Apesar dos bons resultados acumulados no ano, as pequenas oscilações mensais mostram que o consumo ainda responde de forma desigual às variações de renda, crédito e inflação. Para os próximos meses, o desempenho do varejo deve depender da manutenção do poder de compra das famílias, do comportamento dos juros e da movimentação típica do fim de ano, quando as vendas costumam se aquecer.
A avaliação de economistas e representantes do setor é de que o comércio do Espírito Santo tem conseguido se manter resiliente, sustentado principalmente pelo aumento do consumo em segmentos ligados à moda e ao bem-estar.
Segundo análises da Fecomércio-ES, o crescimento observado até aqui é reflexo da melhora gradual da confiança do consumidor e da estabilidade no emprego formal. Mesmo com oscilações pontuais, a expectativa é de que o segundo semestre mantenha o ritmo positivo, impulsionado pelas datas comemorativas e pela retomada gradual do crédito.
O cenário mostra que o Estado segue firme na recuperação do comércio, com sinais de aquecimento especialmente nas áreas voltadas ao consumo pessoal. O desafio agora é manter esse avanço num contexto ainda sensível da economia nacional, equilibrando preços, crédito e poder de compra.
