ES registra mais de 500 aplicações de anticorpo contra vírus respiratório em bebês pelo SUS

Publicado em 05/03/2026 às 17:18 Da Redação
Saúde
ES registra mais de 500 aplicações de anticorpo contra vírus respiratório em bebês pelo SUS

Quase um mês após o início da estratégia especial de proteção contra o vírus sincicial respiratório (VSR), o Sistema Único de Saúde no Espírito Santo já realizou 555 aplicações do anticorpo monoclonal Nirsevimabe em bebês prematuros e crianças com até 24 meses que possuem comorbidades. O dado é do sistema Vacina e Confia, atualizado nesta quarta-feira (4).

O Nirsevimabe é um anticorpo indicado para prevenir infecções causadas pelo vírus sincicial respiratório, principal responsável por casos de bronquiolite e por grande parte das internações hospitalares em bebês.

A aplicação é destinada a recém-nascidos prematuros com idade gestacional igual ou inferior a 36 semanas e seis dias, independentemente do peso ao nascer. Também podem receber o imunizante crianças de até dois anos que apresentem condições de saúde específicas, como cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento, síndrome de Down, fibrose cística, doenças neuromusculares ou anomalias congênitas das vias aéreas.

Nova tecnologia no SUS

O Nirsevimabe é uma tecnologia recente incorporada ao SUS para ampliar a proteção contra o VSR. Diferentemente do Palivizumabe, que já era utilizado na rede pública e exige cinco doses mensais, o novo anticorpo é administrado em dose única, o que facilita a adesão ao tratamento e amplia o alcance da estratégia preventiva.

De acordo com a Secretaria da Saúde do Espírito Santo, equipes da Secretaria da Saúde do Espírito Santo vêm atuando em parceria com os municípios para identificar bebês que se enquadram nos critérios de vacinação, especialmente prematuros nascidos a partir de agosto de 2025 e crianças com comorbidades.

Segundo a referência técnica do Programa Estadual de Imunizações, Danielle Grillo, o trabalho envolve ações de busca ativa para garantir que o maior número possível de crianças receba a proteção.

“É um trabalho conjunto entre a Sesa, por meio do Programa Estadual de Imunizações e do Núcleo Especial de Atenção Primária, com os municípios, para alcançarmos o máximo de crianças possíveis e avançarmos na proteção dos nossos bebês”, destacou.

Estratégia de aplicação

A estratégia de aplicação do anticorpo varia de acordo com o público-alvo. Para bebês prematuros, a administração ocorre de forma contínua ao longo do ano, preferencialmente ainda na maternidade.

Já para crianças com comorbidades, a oferta do imunizante é concentrada no período de maior circulação do vírus, entre os meses de fevereiro e agosto.

A aplicação é feita por via intramuscular, geralmente no músculo da coxa, seguindo protocolos específicos de segurança, armazenamento e registro das doses.

Situação do vírus no Estado

Dados epidemiológicos apontam que o vírus sincicial respiratório tem impacto significativo na saúde infantil no Espírito Santo. Informações da Secretaria da Saúde do Espírito Santo indicam que, até a semana epidemiológica 5 deste ano, foram registrados cinco casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave associados ao VSR, todos em crianças menores de quatro anos. Não houve mortes nesse período.

Em 2025, o vírus foi o principal agente causador de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave no estado, com 718 registros — o equivalente a 18,9% das notificações. A grande maioria das ocorrências, 91,7%, foi registrada em crianças de até quatro anos.

No mesmo período, o Espírito Santo contabilizou 20 mortes associadas ao VSR, sendo oito delas em crianças nessa faixa etária. Autoridades de saúde destacam que a ampliação das estratégias de prevenção, como o uso do anticorpo monoclonal, é fundamental para reduzir hospitalizações e complicações respiratórias em bebês.

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